EU Mereço uma CURA ESPIRITUAL?
O que tenho FEITO para RECEBER essa BENÇÃO?
Professor Laércio Fonseca

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Quem Merece a Cura Espiritual?
Quando a doença se prolonga, os tratamentos médicos não produzem os resultados esperados e os recursos convencionais se esgotam, muitas pessoas recorrem ao centro espírita como última alternativa. Surge então a pergunta inevitável: quem merece a cura espiritual?
Para compreender essa questão sob a ótica do Espiritismo, especialmente a partir da codificação de Allan Kardec, é necessário partir de um princípio fundamental: a vida material é uma etapa da existência do espírito, e não sua realidade definitiva.
A Experiência Humana e as Três Condições da Encarnação
Segundo a visão espírita, os espíritos reencarnam em mundos como a Terra por três motivos principais:
1. Expiação
Relaciona-se ao resgate de débitos morais do passado. O sofrimento, nesse caso, não é punição arbitrária, mas consequência educativa de atos pretéritos. Doenças graves, limitações físicas e circunstâncias extremamente desafiadoras podem fazer parte desse processo.
Nessas situações, a cura nem sempre ocorre, porque o objetivo maior não é a supressão da dor, mas a transformação moral do espírito.
2. Prova
A prova é um teste evolutivo. O espírito já superou determinadas fases, mas precisa demonstrar maturidade diante de circunstâncias específicas — riqueza, pobreza, poder, enfermidade, relações difíceis.
Aqui, a doença pode ser instrumento de aprendizado, mas pode também ser removida se já tiver cumprido sua função pedagógica.
3. Missão
Mais rara, a missão envolve espíritos que retornam por escolha, com objetivos definidos de auxílio coletivo. Exemplos conhecidos do movimento espírita incluem Chico Xavier e Divaldo Franco, que desempenharam papéis relevantes na difusão do Espiritismo no Brasil.
Nesses casos, as dificuldades não representam expiação, mas parte do planejamento reencarnatório.
A Perspectiva Budista e o Sofrimento
A análise do sofrimento também aparece no Budismo. Buda ensinou, nas Quatro Nobres Verdades, que:
- O sofrimento existe.
- Ele decorre da ignorância sobre nossa verdadeira natureza.
- Pode cessar.
- Há um caminho para isso.
Essa “ignorância” não é intelectual, mas espiritual: desconhecer que somos consciência imortal vivendo uma experiência transitória na matéria.
Como Funciona a Cura Espiritual?
Do ponto de vista espiritual, nada é aleatório. A espiritualidade superior — frequentemente associada ao amparo do Cristo — não age por favoritismo nem por emoção momentânea. Existe uma análise profunda das condições cármicas e do planejamento reencarnatório.
Em trabalhos de cura espiritual:
- Nem toda doença pode ser removida.
- Algumas são consequência direta de débitos morais ainda ativos.
- Outras são provas já cumpridas e podem ser aliviadas.
- Muitas enfermidades decorrem de desequilíbrios emocionais, morais ou comportamentais atuais.
Portanto, a pergunta não é apenas “eu mereço a cura?”, mas “essa cura faz parte do meu planejamento evolutivo neste momento?”
Cura Física x Cura Espiritual
É fundamental distinguir:
- Cura física: restauração do corpo biológico.
- Cura espiritual: transformação interior, resignificação da dor, amadurecimento moral.
Há casos em que o espírito se liberta da matéria sem que a doença tenha sido removida. Sob a ótica espiritual, a desencarnação pode representar libertação, não fracasso.
Responsabilidade Individual
A saúde também está ligada às atitudes pessoais. Há doenças que resultam de hábitos, excessos, vícios ou desequilíbrios emocionais. Nesses casos, a intervenção espiritual pode auxiliar, mas não substitui a responsabilidade individual.
A transformação íntima é requisito essencial. Sem mudança moral, não há progresso duradouro.
Conclusão
Quem merece a cura espiritual?
Todos merecem auxílio.
Nem todos necessitam da cura física.
A espiritualidade superior não opera segundo expectativas humanas, mas segundo leis de justiça e evolução. Em alguns casos, a doença é instrumento de reparação; em outros, é prova transitória; e em outros ainda, simples consequência de escolhas presentes.
A verdadeira questão é:
estamos dispostos a compreender o sentido da experiência que estamos vivendo e a nos transformar a partir dela?
Essa é a cura que, inevitavelmente, sempre está disponível.
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